"Viver, simplesmente viver, meu cão faz isso muito bem".
Alberto da Cunha Melo

Friday, January 1, 2016

Trecho de uma carta de Fritjof Schuon, de junho de 1964, sobre os limites da ciência:


‘Não há que se aviltar uma ciência por não ser o que não aspira ser ou por não outorgar aquilo que não almeja outorgar... Não se pode acusar a química por permanecer numa restrita perspectiva humana em relação a matéria, porquanto não lhe compete ultrapassar tal ponto, e certamente nenhuma ciência física necessita fazê-lo.
… Ou somos Deus e percebemos a Realidade pura e total, ou não O somos e então a nossa visão das coisas é limitada; uma ciência cósmica “ao nível de Deus” seria uma absurdidade... Ou eu sei o que está detrás de mim ou não sei; se eu sei que existe uma árvore a três metros das minhas costas, minha ciência é adequada para o que pretende incluir; a questão do sentido metafísico da árvore é irrelevante. Se acredito que tal árvore é a única que existe, então não é a minha momentânea e concreta ciência da árvore que é falsa, mas sim a hipótese que fixei nela; isto é mais ou menos o que ocorre com a ciência moderna.

Destarte, para os fins de determinar o valor de dada opinião desta ciência, tudo o que necessitamos saber é se de fato a ciência moderna está errada no plano que está estudando ou se são quaisquer das suas arguições, injustificáveis. A ciência moderna está apenas parcialmente errada no plano dos fatos físicos; por outro lado, está totalmente errada nos planos superiores e em seus princípios. Está errada quando os nega, bem como nos falsos princípios que derivam desta negativa, e finalmente, nos monstruosos efeitos que esta ciência produz como resultado do seu Prometeanismo. Mas está correta quanto a muitos dados físicos e mesmo acerca de alguns fatos psicológicos, e certamente seria impossível isto não ser o caso, dada a lei das compensações; em outras palavras, é impossível ao homem moderno não estar certo sobre certas questões nas quais o homem antigo estava errado; isto é inclusive parte do processo de degeneração. O que é decisivo em favor do homem tradicional ou antigo, no entanto, é que, em geral, eles estão certos em relação a todas as questões espiritualmente essenciais.’

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